<font color=0093dd>Mais um deputado para recuperar um distrito deprimido</font>
No sábado, na véspera do início da campanha eleitoral, Jerónimo de Sousa visitou a Maia, no distrito do Porto, onde participou num entusiasmante comício com cerca de um milhar de pessoas.
A regionalização criará as condições para mais desenvolvimento.
Nas últimas eleições legislativas, faltaram 2015 votos à CDU para eleger o segundo deputado no círculo do Porto. Os candidatos e activistas da coligação mostraram, no sábado, o seu empenho em alcançar este objectivo, num comício no Forum da Maia, numa das principais praças daquela cidade.
O distrito do Porto atravessa uma situação grave, com quase um quarto do desemprego nacional. Aqui, nos últimos anos, fecharam mais de quatro empresas por dia, incluindo sábados e domingos. Trata-se de um distrito onde há mais de 90 mil pessoas a beneficiar do rendimento mínimo; onde a rede de esgotos serve menos de metade da população; onde quase todos os cursos de água estão poluídos; onde a taxa de mortalidade infantil está acima da média nacional. A listagem de aspectos preocupantes prossegue: há mais de 250 mil pessoas sem médico de família; três quartos dos desempregados não tem a escolaridade mínima obrigatória; 4 dos 18 concelhos tem o poder de compra abaixo da média nacional.
Como referiu Honório Novo, cabeça de lista da CDU, durante o comício «esta situação não é um destino inevitável para quem aqui vive e trabalha. Há partidos que são inteiramente responsáveis por isto, que agora passam o tempo a criar factos políticos, a ensaiar falsas ofensas públicas. Em contrapartida, a campanha da CDU vai ser de esclarecimento sereno, frontal e clara, sem golpes baixos, prestando contas transparentes e rigorosas do trabalho feito no distrito, que não tem comparação com o que foi feito pelas restantes forças.»
Honório Novo, abordou o tema da regionalização, um dos 20 compromissos assumidos pela coligação. «Não estamos a contar com ninguém para relançar este debate, apesar de a regionalização ser essencial para criar as condições para o desenvolvimento, não só do distrito e da região Norte, mas do todo nacional, de uma forma coesa», sublinhou.
Uma lista de jovens
O comício abriu com os ritmos populares e muito animados da Brigada Vítor Jara, grupo faz questão de demonstrar o seu apoio público à CDU e ao PCP. «Não é por acaso que há momentos musicais antes das intervenções políticas nas iniciativas da coligação, mas porque é importante para a CDU. A cultura é um elemento diferenciador dos povos, onde reside a sua identidade», afirmou o violinista Manuel Rocha.
Jorge Machado, segundo candidato da lista da CDU, salientou que «as outras forças partidárias falam na juventude, dizem-se jovens e modernos, afirmam que a CDU está envelhecida, mas os factos desmentem-nas. É a CDU que aposta na juventude, que apresenta candidatos jovens para serem eleitos no dia 20.»
«No distrito do Porto, o Bloco de Esquerda apresentou-se ao eleitorado com um documento onde afirma que o seu deputado eleito por este círculo foi o que mais trabalhou: 118 projectos de lei, dizem eles. Contudo, o BE apresentou 116 projectos e o deputado em causa 78 e, com incidência no distrito, apenas quatro. Para esta esquerda – que não é assim tão de confiança – vale tudo, inclusive enganar o eleitorado», acrescentou.
Francisco Madeira Lopes, d’«Os Verdes», declarou que «os portugueses conhecem o PCP e o PEV, porque não fazemos só trabalho no Parlamento, mas também quotidianamente no terreno contactando e sendo contactados pelas populações e as associações locais, que sabem que podem contar connosco. Temos um património de luta com provas dadas e vitórias alcançadas. O ambiente não pode ser uma mera flor na lapela. Longe de uma lógica de desenvolvimento desordenado e insustentável, geradora de poluição e com consequente degradação da saúde pública; a depredação dos nossos recursos naturais e biológicos, na lógica capitalista do lucro e desperdício, em que a natureza e as pessoas são meros acessórios descartáveis.»
20 compromissos para o distrito do Porto
Honório Novo, o cabeça de lista da CDU pelo círculo do Porto, relembrou os 20 compromissos assumidos pelos candidatos da coligação para o distrito:
1 - Defender e modernizar toda a capacidade produtiva instalada no distrito e preservar e desenvolver as indústrias estratégicas, como a Refinaria da Petrogal;
2 - Impedir a deslocalização de empresas (retomando o projecto-lei do PCP);
3 - Diminuir a idade da reforma dos trabalhadores das pedreiras para os 55 anos;
4 - Acabar com o roubo de 10 por cento do subsídio de doença e melhorar as prestações sociais;
5 - Definir critérios mais justos para a fixação de renda nos bairros sociais (repondo um projecto-lei do PCP);
6 - Construir a ferrovia de velocidade elevada, para mercadorias e passageiros, com ligações a norte, sul e este;
7 - Concretizar o Plano da Rede de Metro, alargado a Valongo, equiparar os preços dos bilhetes do Metro do Porto aos valores do Metro de Lisboa (cerca de metade), impedir o encerramento compulsivo de linhas da STCP e criar passes sociais intermodais;
8 - Construir a plataforma logística intermodal e promover a gestão integrada de equipamentos estratégicos instalados (Porto de Leixões, Aeroporto e Exponor);
9 - Criar um plano integrado multimunicipal para duplicar a taxa de cobertura de saneamento básico no distrito e concretizar planos de despoluição dos rios Douro, Leça, Ave, Tâmega e Tinto;
10 - Incluir verbas nos planos de investimento central adequadas à construção de instalações da Escola Superior de Tecnologias da Saúde, de novas instalações para o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Ciências da Nutrição e ampliação da Faculdade de Medicina e da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo;
11 - Construir o Centro Materno-Infantil, o Hospital Público de Póvoa de Varzim-Vila do Conde e o de Santo Tirso, o hospital metropolitano de rectaguarda, alargar a rede de cuidados primários de saúde;
12 - Defender a gestão pública da Casa da Música, incorporando a Orquestra Sinfónica do Porto;
13 - Defender a reactivação do Museu de Etnografia e do Museu Nacional de Literatura, desencadear ou acelerar os processos para novas bibliotecas na Trofa, Baião e Marco de Canaveses;
14 - Criar a Área Protegida da Reserva Ornitológica do Mindelo e o Parque Regional do Douro Litoral (Serras de Santa Justa, Pias, Castiçal, e Banjas);
15 - Melhorar os portos de pesca e respectivos equipamentos e construir os portos de abrigo de Angeiras e de Vila Chã;
16 - Construir integralmente o IC24 (Circular Regional Exterior do Porto) sem instalação de portagens, eliminar as portagens do IP4 entre Valongo e Ermesinde, impedir a criação de portagens no IC1/A28, construir as variantes rodoviárias à EN14 (Porto/Braga) e EN104 (Vila do Conde/Santo Tirso);
17 - Transferir para as câmaras municipais a gestão das zonas ribeirinhas e litorais fora das áreas portuárias;
18 - Reformular a Área Metropolitana do Porto, propondo a eleição directa dos seus órgãos, o aumento dos respectivos meios financeiros e poderes (entre os quais a gestão da Autoridade Metropolitana de Transportes);
19 - Dignificar as condições de trabalho das forças de segurança, aumentar os meios humanos e materiais para um melhor policiamento de proximidade;
20 - Relançar o processo de Regionalização.
O distrito do Porto atravessa uma situação grave, com quase um quarto do desemprego nacional. Aqui, nos últimos anos, fecharam mais de quatro empresas por dia, incluindo sábados e domingos. Trata-se de um distrito onde há mais de 90 mil pessoas a beneficiar do rendimento mínimo; onde a rede de esgotos serve menos de metade da população; onde quase todos os cursos de água estão poluídos; onde a taxa de mortalidade infantil está acima da média nacional. A listagem de aspectos preocupantes prossegue: há mais de 250 mil pessoas sem médico de família; três quartos dos desempregados não tem a escolaridade mínima obrigatória; 4 dos 18 concelhos tem o poder de compra abaixo da média nacional.
Como referiu Honório Novo, cabeça de lista da CDU, durante o comício «esta situação não é um destino inevitável para quem aqui vive e trabalha. Há partidos que são inteiramente responsáveis por isto, que agora passam o tempo a criar factos políticos, a ensaiar falsas ofensas públicas. Em contrapartida, a campanha da CDU vai ser de esclarecimento sereno, frontal e clara, sem golpes baixos, prestando contas transparentes e rigorosas do trabalho feito no distrito, que não tem comparação com o que foi feito pelas restantes forças.»
Honório Novo, abordou o tema da regionalização, um dos 20 compromissos assumidos pela coligação. «Não estamos a contar com ninguém para relançar este debate, apesar de a regionalização ser essencial para criar as condições para o desenvolvimento, não só do distrito e da região Norte, mas do todo nacional, de uma forma coesa», sublinhou.
Uma lista de jovens
O comício abriu com os ritmos populares e muito animados da Brigada Vítor Jara, grupo faz questão de demonstrar o seu apoio público à CDU e ao PCP. «Não é por acaso que há momentos musicais antes das intervenções políticas nas iniciativas da coligação, mas porque é importante para a CDU. A cultura é um elemento diferenciador dos povos, onde reside a sua identidade», afirmou o violinista Manuel Rocha.
Jorge Machado, segundo candidato da lista da CDU, salientou que «as outras forças partidárias falam na juventude, dizem-se jovens e modernos, afirmam que a CDU está envelhecida, mas os factos desmentem-nas. É a CDU que aposta na juventude, que apresenta candidatos jovens para serem eleitos no dia 20.»
«No distrito do Porto, o Bloco de Esquerda apresentou-se ao eleitorado com um documento onde afirma que o seu deputado eleito por este círculo foi o que mais trabalhou: 118 projectos de lei, dizem eles. Contudo, o BE apresentou 116 projectos e o deputado em causa 78 e, com incidência no distrito, apenas quatro. Para esta esquerda – que não é assim tão de confiança – vale tudo, inclusive enganar o eleitorado», acrescentou.
Francisco Madeira Lopes, d’«Os Verdes», declarou que «os portugueses conhecem o PCP e o PEV, porque não fazemos só trabalho no Parlamento, mas também quotidianamente no terreno contactando e sendo contactados pelas populações e as associações locais, que sabem que podem contar connosco. Temos um património de luta com provas dadas e vitórias alcançadas. O ambiente não pode ser uma mera flor na lapela. Longe de uma lógica de desenvolvimento desordenado e insustentável, geradora de poluição e com consequente degradação da saúde pública; a depredação dos nossos recursos naturais e biológicos, na lógica capitalista do lucro e desperdício, em que a natureza e as pessoas são meros acessórios descartáveis.»
20 compromissos para o distrito do Porto
Honório Novo, o cabeça de lista da CDU pelo círculo do Porto, relembrou os 20 compromissos assumidos pelos candidatos da coligação para o distrito:
1 - Defender e modernizar toda a capacidade produtiva instalada no distrito e preservar e desenvolver as indústrias estratégicas, como a Refinaria da Petrogal;
2 - Impedir a deslocalização de empresas (retomando o projecto-lei do PCP);
3 - Diminuir a idade da reforma dos trabalhadores das pedreiras para os 55 anos;
4 - Acabar com o roubo de 10 por cento do subsídio de doença e melhorar as prestações sociais;
5 - Definir critérios mais justos para a fixação de renda nos bairros sociais (repondo um projecto-lei do PCP);
6 - Construir a ferrovia de velocidade elevada, para mercadorias e passageiros, com ligações a norte, sul e este;
7 - Concretizar o Plano da Rede de Metro, alargado a Valongo, equiparar os preços dos bilhetes do Metro do Porto aos valores do Metro de Lisboa (cerca de metade), impedir o encerramento compulsivo de linhas da STCP e criar passes sociais intermodais;
8 - Construir a plataforma logística intermodal e promover a gestão integrada de equipamentos estratégicos instalados (Porto de Leixões, Aeroporto e Exponor);
9 - Criar um plano integrado multimunicipal para duplicar a taxa de cobertura de saneamento básico no distrito e concretizar planos de despoluição dos rios Douro, Leça, Ave, Tâmega e Tinto;
10 - Incluir verbas nos planos de investimento central adequadas à construção de instalações da Escola Superior de Tecnologias da Saúde, de novas instalações para o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Ciências da Nutrição e ampliação da Faculdade de Medicina e da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo;
11 - Construir o Centro Materno-Infantil, o Hospital Público de Póvoa de Varzim-Vila do Conde e o de Santo Tirso, o hospital metropolitano de rectaguarda, alargar a rede de cuidados primários de saúde;
12 - Defender a gestão pública da Casa da Música, incorporando a Orquestra Sinfónica do Porto;
13 - Defender a reactivação do Museu de Etnografia e do Museu Nacional de Literatura, desencadear ou acelerar os processos para novas bibliotecas na Trofa, Baião e Marco de Canaveses;
14 - Criar a Área Protegida da Reserva Ornitológica do Mindelo e o Parque Regional do Douro Litoral (Serras de Santa Justa, Pias, Castiçal, e Banjas);
15 - Melhorar os portos de pesca e respectivos equipamentos e construir os portos de abrigo de Angeiras e de Vila Chã;
16 - Construir integralmente o IC24 (Circular Regional Exterior do Porto) sem instalação de portagens, eliminar as portagens do IP4 entre Valongo e Ermesinde, impedir a criação de portagens no IC1/A28, construir as variantes rodoviárias à EN14 (Porto/Braga) e EN104 (Vila do Conde/Santo Tirso);
17 - Transferir para as câmaras municipais a gestão das zonas ribeirinhas e litorais fora das áreas portuárias;
18 - Reformular a Área Metropolitana do Porto, propondo a eleição directa dos seus órgãos, o aumento dos respectivos meios financeiros e poderes (entre os quais a gestão da Autoridade Metropolitana de Transportes);
19 - Dignificar as condições de trabalho das forças de segurança, aumentar os meios humanos e materiais para um melhor policiamento de proximidade;
20 - Relançar o processo de Regionalização.